Um beijo abençoado pela chuva enxarcou-me os lábios. E eu jurei que não queria, que não podia, que era errado. Um coração que não ama há muito tempo deve ser seco e duro como o deserto do Atacama, onde só é possível medir os índices pluviométricos a cada cinco ou, às vezes, a cada vinte anos. Um coração magoado tampouco deve ser bom para amar, pois as chagas perduram como pústulas cheias de traumas e lembranças ruins.
Mas a chuva veio num momento oportuno, fez a nossa secura estremecer, acordou a terra adormecida. Essa água, que pode até não ser tão boa, foi quem nos umedeceu e lavou nossas feridas. O melhor que conseguimos. Devemos agradecer.

2 comentários:
hoje vou comentar das imagens... as aí de cima do blog são a sua cara!!!!
um beijo
São recortes de desenhos do Shiko: http://www.overmundo.com.br/overblog/shiko-o-antiartista-plastico
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