segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Âmome

Um fio de saliva escorria pelo lábio inferior. Um bico de seio à mostra brilhava umedecido. Os lábios debaixo encontravam-se ainda mais molhados. Ela respirava profundamente, enquanto o coração desacelerava. Tremia levemente, com a mão pousada no ventre nu.
Ela abriu os olhos e observou os raios de sol que penetravam pequenas frestas da cortina. Não queria aquele sol penetrando porra nenhuma em sua intimidade. Era injusto que isso ocorresse mesmo num dia nublado.
Pensou em amor, relacionamentos, na carência e na dor que sentia... Reprimiu o choro, mas uma lágrima teimosa fugiu, caindo sobre o travesseiro.
Depois de dar a si o que mais ninguém seria capaz, repetiu, na penumbra solitária do quarto, até adormecer:
- Eu me amo, eu me amo, eu me amo, eu me amo, eu me amo...