Quando ainda fazia a primeira faculdade, fui a um churrasco da turma do Direito, famoso pelo nome "Vaca Louca". Era o tipo de evento ao qual as pessoas iam para ficar com tudo o que se movimentasse e tivesse pulso. Fiquei boa parte da festa sozinha, pois havia ido com uma amiga que não pretendia sair dali sem cumprir a meta de ficar com todos que dessem em cima dela.
Quando eu já não aguentava mais ficar naquele ambiente, um garoto absolutamente irresistível deu em cima de mim. Achei-o lindo de morrer e descumpri uma das minhas regras: a de nunca, jamais, em hipótese alguma, ficar com alguém tão bêbado quanto ele estava. Ele me beijou e, em seguida, perguntou se eu estava de carro. Eu disse que sim e fui convidada para dar uns amassos no meu carro. Até aí tudo bem. Naquele grau alcoólico, aquele menino não era capaz de me fazer mal algum. Não representava ameaça.
Eu só não sabia que ele ia ativar o modo "babaca" quando tivéssemos um pouquinho de privacidade. Já dentro do carro, no meio do beijo, ele começou a empurrar minha cabeça. Sim, ele empurrava minha cabeça para baixo, rumo ao que ele devia considerar seu disputado e desejado falo. Não me contive e ativei o modo "piranha maldosa". E disse, quase sem acreditar de onde eu tirava coragem para dizer aquelas coisas:
- Sabe que eu A-DO-RO chupar pau!
Os olhos dele brilharam e, sem piscar, botou o dito cujo para fora. Eu fiquei olhando e molhando os lábios, como se estivesse com muita vontade. Confesso, alguma vontade existia, mas a cena em si deve ter sido ridícula. De qualquer forma, minha atuação causou o efeito desejado. Ele ficou esperando ansiosamente pelos meus lábios, disse que estava pronto, que eu podia começar. Mas avisei:
- Só que existe um pequeno segredo. Apesar de eu adorar chupar pau, só tem um jeito de me levar a fazer isso.
Ele não aguentava mais a espera que eu o obrigava a suportar e perguntou:
- Como? Como?? Como??!
Ao que respondi:
- Oras, é segredo. Se você não consegue desvendar, eu também não posso te ajudar.
Nesse meio tempo, minha amiga chegou no carro, querendo ir embora. O garoto pediu a ela que nos desse mais alguns segundos - 30 segundos para ser mais específica. Morri de rir por dentro. Ela concedeu, mas eu cortei logo a conversa:
- Já era! Preciso ir. Você viu, minha amiga está com pressa.
Ele foi embora muito contrariado, com a maior cara de cachorro abandonado. Talvez eu devesse ter dito simplesmente: "Se você continuar empurrando minha cabeça dessa maneira estúpida e grosseira, eu arranco essa merreca de pipiu fora, seu mané!".
4 comentários:
hahahahaha, adorei!! Ele até hoje deve se perguntar qual era seu segredo! hahahaha
Beijos! :*
Excelente!!!!!
Mas, afinal, qual eh o segredo? :)
Adolfo
Estava dando uma olhada por uns blogs aqui de Brasília e me deparei com seu Proibido Ler, mas li assim mesmo.
E confesso que, ao ler este relato, senti vergonha da "catiguria"... A mulher é cruel, doida e o escambau, mas homem é mesmo um bicho babaca.
Curiosamente, à mesma época, escrevi um texto que é irmão do seu (logo abaixo), só que mais generalizante. Se interessar, dá um pulo, lá!
Abraço do Maltrapa!
http://oantropolicomaltrapilho.blogspot.com/2011/10/um-velho-ranzinza.html
Aplausos.
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