Por confiar plenamente numa amizade de sete anos com Florisvaldo, Eunice se fodeu. Literalmente. Ou não. Não se sabe ao certo. Andavam muito juntos, especialmente após o término de namoro de Florisvaldo com Elizabeth. Ele ainda era louco pela ex, por isso sempre chorava suas pitangas no ombro da amiga, que, no máximo, o consolava acompanhando-o nas bebedeiras e lhe dando conselhos, mas não tinha interesse nenhum em consolá-lo de forma mais íntima, se é que me entendem.
Um belo dia, Floris pediu pela companhia de Nice e confessou que o pai estava falido, que seus sonhos e grandiosos planos para o futuro haviam se dilacerado, que estava, de novo e ainda, arrasado com o término do relacionamento com Bete. Nice queria ir para casa dormir, mas o amigo precisava de ajuda, ela pensou. E ele foi persistente em seus pedidos:
- Vira vodka comigo. Vira vodka comigo. Pára de beber que nem bicha, porra!
Muito tola, ela virou. Uma. Duas. Três. Desmaiou de sono e embriaguez.
Acordou atordoada no dia seguinte, lembrando-se dos importantes afazeres do dia, da hora perdida, da calcinha no meio das pernas, do lubrificante jogado no chão do quarto, do fiel amigo, completamente nu ao seu lado, da vergonha por ter bebido a ponto de perder a consciência, do vexame por não se lembrar do que havia acontecido, SE havia acontecido...
Ela levantou-se da cama, vestindo as calças, que estavam emperradas no meio das pernas junto à calcinha, soltando fogo pelas ventas, morrendo de ódio, mágoa e decepção pelo comportamento do amigo... Foi embora, deixando-o ainda desmaiado, resmungando qualquer coisa ininteligível.
Dias depois, desabafando com outro amigo, grande amigo, daqueles que dão sempre os melhores conselhos, ela ouviu:
- Espera, mas você está com raiva é de si mesma, não é? Por ter desmaiado, por ter bebido? Porque ele não teve tanta culpa assim. Você é uma mulher atraente. Você escolheu beber e estar na casa dele. Foi sua vontade.
Levando em conta que não era a primeira vez que um amigo traía sua confiança, aproveitando-se de sua inconsciência, Eunice tomou uma séria decisão para sua vida. Ela não parou de beber, não aderiu a nenhuma crença religiosa, não mudou em nada seu comportamento. O problema, afinal, não era ela nem o álcool. Este, aliás, era muito melhor companhia do que esses ditos "amigos" em quem ela depositava, até então, tanta fé e carinho. Afastou-se de todos que carregavam uma arma entre as pernas e nunca mais teve que passar por nenhum tipo de situação em que, sendo vítima, fosse vista como culpada.
11 comentários:
haha! Muito boa a maneira como você amarrou o texto. Eunice se fudeu. Literalmente. Ou não!!!
Dúvida cruel!!!!!
Já estive na pele do Floris, mas conduzi minha amiga até sua casa, segura e casta. Dias depois, ela me chamou de frouxo...
Adoráveis mulheres e suas lógicas indecifráveis.
Abração do Maltrapa
Antes frouxo q estuprador. Um é mto mais digno q o outro.
Até pq não vejo qual a graça de transar com uma pessoa inconsciente...
É paradoxal, mas em tempos bicudos como esses, o sexo a dois tem sido uma coisa cada vez mais individual...
Assim é! A graça, portanto, na cabeça desses gárgulas, deve estar na satisfação deles mesmos, ainda que não faça o menor sentido para sua parceira (ou parceiro).
Penso que não há culpado nessa estória, os dois queriam, ainda que a bebida tenha catalisado a situação.
Tadinha da Nice,
Mas antes de culpar o Floris, ela tinha que chegar e ter um papo sério com ele, afinal, pelo provável teor alcoólico dos dois, não deve ter é rolado nada! rs
achei seu texto tão inspirador. parabéns.
:)
Sim, já veio mesmo no meu blog, um pouco mais de 1 ano atrás.
http://arthurdoomer.blogspot.com/2010/12/blog-post_12.html
=)
hahaha, percebí!
Ah, bem vinda de volta então.
:)
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